Dia de aniversário da Rádio Santiago: "Quando a Rádio nos absorve não nos larga, perdurará para sempre"

É uma das vozes incontornáveis dos primeiros anos da Rádio Santiago e que com ela envolveu a comunidade vimaranense, fazendo parte da vida das pessoas que a ouviam e admiravam.
Neste dia em que a Rádio Santiago completa 39 anos de existência, ouvimos Lídia Labutte, ou melhor Lídia Amiel (nome actual porque o sol dá muitas voltas à vida). Há mais de três décadas que abraçou outro desígnio profissional, mas não esquece o tempo em que os auscultadores e o microfone eram uma espécie de extensão da sua existência, nos primeiros anos da Rádio Santiago, quando os estúdios funcionavam no nº 31, da Praça de São Tiago, no coração do centro Histórico de Guimarães.
Actualmente, reside em Londres, em Inglaterra, onde está ligada à decoração de interiores e de eventos, continuando a difundir a intensidade da doçura melodiosa da sua voz. Agora, num registo diferente, presta serviços de locução, fazendo «voz off» pontualmente para uma agência de publicidade. "Como sempre, faço tudo com profissionalismo e eficácia. Amo o que faço!", afirmou, recentemente, durante uma breve visita aos estúdios da Rádio Santiago, onde reencontrou algumas das pessoas que com ela partilharam horas e horas de emissão, acedendo prontamente ao convite para ser entrevistada para o jornal O Comércio de Guimarães.
"Os auscultadores?" Perguntou, mal se sentou, justificando que a utilização desse acessório faz toda a diferença no modo de fazer bem a relação que a rádio estabelece com o ouvinte. E logo a seguir, instintivamente, surge a voz, a voz com a colocação perfeita, num tom melodioso e envolvente.
Começou a fazer rádio em Moçambique, país onde nasceu há 65 anos. "Foi na rádio da escola que iniciei a locução. Toda a gente dizia que tinha jeito para a rádio", recordou, assinalando que foi na Rádio Clube de Moçambique, em Lourenço Marques, actual Maputo, que atingiu o ambicionado profissionalismo.
"Tinha 17 ou 18 anos quando lá entrei e não comecei logo a fazer locução porque antigamente havia uma preparação muito intensa. Estive ano e meio, a fazer rádio em emissão fechada, a trabalhar a voz, a respiração e só quando o director de programação entendeu que estava preparada é que fiz o teste e comecei a fazer rádio em sinal aberto. Nessa rádio, tínhamos três estações: a A (emissão nacional), a B (mais voltada para música clássica) e a C ( que era um resumo das outras duas). Havia ali uma escola, porque havia trabalhos em que éramos uma espécie de actores invisíveis, no teatro radiofónico, o que exigia uma grande preparação. Fiz o curso de teatro radiofónico, o que ajudou bastante para a gravação de anúncios publicitários, porque conseguia trabalhar a voz mediante as emoções, como rir ou chorar. Comecei a fazer um programa infantil e evolui para outros formatos", lembrou, ao assinalar que "a rádio é uma paixão".
As circunstâncias da vida trouxeram-a a Guimarães, dinamizando a animação na Rádio Santiago, num ambiente de cariz familiar "maravilhoso e saudável". "O estúdio estava num lugar maravilhoso - a Praça de São Tiago - onde residiam muitas famílias. As nossas crianças brincavam todas ali, num sítio seguro. Hoje, passo por lá e sinto muita saudade, embora fique muito feliz por ver a praça modernizada. Vivi no último andar do edifício onde estavam instalados os estúdios da rádio e isso tornava ainda mais intensa a proximidade com os ouvintes", observou, emocionada, indicando que continua com a rádio a alimentar a alma e o coração.
Abraçou outros desafios profissionais e vive actualmente em Londres, em Inglaterra, continuando a fazer locução, ligada a uma agência de publicidade. "Optei por fazer publicidade, onde estou mais resguardada", frisou, ao sublinhar que continua "ligada" à Rádio Santiago, através da internet. "Continuo a ouvir. A rádio é uma ligação íntima da qual nunca haverá divórcio, porque quando a Rádio nos absorve não nos larga, perdurará para sempre".