Trabalhadores da Celeste com dúvidas sobre a degradação financeira do Grupo

Os trabalhadores do Grupo Celeste manifestaram-se esta sexta-feira junto às instalações da sede da empresa, na freguesia de Polvoreira.
"A única evolução que houve foi apenas processual do ponto de vista técnico, que a Administradora de Insolvência da Conceitos Avulso, que é a empresa que alberga os trabalhadores, já providenciou as declarações de situação de despedimento involuntário e, portanto, os trabalhadores já podem pedir o subsídio de desemprego", referiu.
Aquele sindicalista reitera que "não é isso que interessa aos trabalhadores neste momento, o que interessa aos trabalhadores é resolver-lhes o problema de fundo, que é a viabilidade da empresa e a continuidade dos seus postos de trabalho e, acima de tudo, o pagamento daquilo que têm em dívida", nomeadamente o salário de Janeiro e parte do mês de Fevereiro e o subsídio de férias do ano passado.
Durante a concentração, o delegado Sindical do Grupo Celeste, Diogo Ribeiro, deu conta de situações que carecem de clarificação sobre a verdadeira evolução da situação financeira da empresa e até mesmo de créditos reclamados no âmbito do PER.
"Quando olhámos a lista de credores do PER, vemos lá que a Segurança Social é credora de 290 mil euros, que nos remete a 2013, ou seja, se a empresa não paga desde 2013 à Segurança Social, como é que a fragilidade financeira da empresa é só de 2024 como nos foi dito?", afirmou.
Na sua comunicação aos colegas de trabalho, Diogo Ribeiro deu ainda conta de "outra coisa curiosa".
"Já que toquei na questão da lista de credores, digo-vos que é a nossa querida amiga Belenzinha (empregada da família dos responsáveis da empresa), ser credora, a única credora a título singular, com um valor de 400 mil euros. Agora, a pergunta que fica é, o que é que ela fez para estar a reclamar 400 mil euros? A resposta da empresa foi simples: têm de perguntar directamente a ela".
Perante a desconfiança dos trabalhadores sobre eventuais actos de gestão que podem ter contribuído para a degradação financeira do Grupo Celeste, José Eduardo admite que o Sindicato possa avançar para um processo que apurar eventual prática de gestão danosa.
"Se detectarmos qualquer indício de gestão danosa, obviamente que avançaremos com um processo. Neste momento estamos, obviamente, mais focados naquilo que são os direitos dos trabalhadores. Os recursos do Sindicato também não são infinitos e, portanto, neste momento estamos virados para aquilo que garantir os direitos dos trabalhadores. Obviamente desde o Verão passado que havia atrasos nos pagamentos e, ao mesmo tempo, havia investimentos incompreensíveis. Uma nova frota do serviço de vendas, uma frota de carros eléctricos caríssima, um novo caminhão, e os trabalhadores não percebiam e diziam: se nos devem dinheiro, se nos atrasam a pagar os salários, porque é que há investimento? Aliás, havia até em alguma comunicação social uma propalada boa saúde financeira e novas opções de investimento por parte da empresa. Claro que depois «não batia a bota com a perdigota», não é? E, portanto, se, obviamente, conseguirmos identificar algo de forma flagrante que se coadune com a situação de gestão danosa, iremos denunciar".
A concentração contou com cerca de uma centena dos perto de 300 trabalhadores.
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