António Miguel Cardoso mantém decisão de demitir-se se o Vitória não ficar em 5º e admite recandidatar-se

Numa entrevista concedida ao site zerozero.pt, o presidente do Vitória foi confrontado com a afirmação proferida no final do mês de Agosto do ano passado, quando disse que deixava a presidência se o clube não ficasse no 5º lugar da classificação da Liga. António Miguel Cardoso não fugiu ao tema. “O que fiz não o fiz na emoção, eu já o tinha pensado”, disse, atirando a seguir à questão se é um assunto em cima da mesa: “Claro que sim, claro que sim.”
O dirigente explicou que “aquilo que eu disse na altura foi para meter a pressão em cima de mim e tirar dos jogadores e do treinador. Foi… não se preocupem. Os sócios, o que tiverem a protestar, protestem comigo, não protestem com os jogadores, deixem-nos estar à vontade, portanto foquem em mim. E aquilo que eu queria era, automaticamente, tirar essa pressão. Acho que foi conseguido e até acho que tivemos muito sucesso a partir daí. Do meu lado e do lado de Vitória, eu sentia que se não o fizesse só tinha um caminho. E neste momento, ao fazer aquela declaração, há muitos caminhos para o Vitória e para mim neste momento. Nós podemos ter só um caminho e a partir daquelas declarações há várias possibilidades. E eu acho que isso é excelente”, sustentou, admitindo que possa recandidatar-se num cenário de eventuais eleições antecipadas.
Nesse sentido, António Miguel Cardoso coloca o futuro do clube nas mão dos associados: “O Vitória é dos sócios. O Vitória não é meu. Portanto, são os sócios que têm que ter a responsabilidade de decidir o que é que vai acontecer no clube. Enquanto eu estiver, a minha preocupação é rejuvenescer, ter ativos, fazer com que a formação e a equipa B cada vez se vão fundindo mais com a equipa A, que é o que está a acontecer e é claro. Se os sócios decidirem que não é por ali que querem ir, que querem outra direção, a partir daí já não é um problema meu, é um problema meu na bancada de seguir e de querer que o Vitória continue a ganhar, mas depois é que quem vier é que tem que decidir qual é o caminho. Repito, sou uma pessoa de objetivos e acho que se chegarmos ao final da época e não ficarmos em 5º - eu acho que já conquistamos muito este ano, toda a gente dizia, por exemplo, que o Vitória se calhar este ano vai descer divisão, e já conquistamos uma Taça da Liga, o terceiro título do Vitória - vou ouvir os sócios. E se decidir que quero continuar, porque acho que realmente há muita coisa a fazer, mas também não tem que ser feita por mim, vou ouvir os sócios. Os sócios podem em Assembleia Geral dizer que querem que eu continue.”
“Para já”, prosseguiu, ainda sobre o tema, “vamos, de uma forma totalmente aberta, perceber em que lugar é que nós vamos ficar, sem pressão nenhuma. A pressão é minha, não está nos jogadores, os jogadores têm que estar tranquilos, a única coisa que eles têm de pressão é dar tudo, nos treinos e nos jogos, isso é que é a pressão máxima, isso é aquilo que nós exigimos num clube como o Vitória. Podemos ficar em quinto, podemos não ficar, isso aí nós vamos ver, eu acredito que sim. Se não ficarmos no 5º lugar e se eu acreditar que quero continuar e que devo continuar e que o projeto tem que continuar…” E avisou, desde já, que “há um momento em que para o Vitória continuar a ser dos sócios a visão tem que ser muito mais empresarial. O clube tem que ser rentável, continuar a ser gerido pelos sócios, os sócios continuam a tomar as decisões, mas tem que se ter uma visão empresarial, tem que se eliminar gorduras, tem que ser muito mais pró-rentabilidade do clube, do que continuarmos a ser um clube tão aberto e tão pesado em termos daquilo que é gestão. E um dos objetivos para o futuro é esse. Por isso eu acho que no final desta época é um excelente momento para que os sócios percebam assim, olha, nós queremos ir por aqui ou se já chega e terá que vir outro. Acho que faz parte, mas totalmente disponível e tranquilo em relação àquilo que é o futuro, tanto do Vitória como ao meu.”
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