Rui Sobral é o autor de «22 poemas de guerra para clementina»

Rui Sobral senta-se para falar da sua escrita, mas a conversa começa por um tema que é uma espécie de tabu: a idade. É um dos poucos temas sobre os quais se recusa a falar abertamente. Partilhou apenas que esse receio tem um fundamento. Evitar que "um número se transforme numa condicionante".
Se a idade permanece em suspenso, as raízes oferece-as com generosidade. E conduzem inevitavelmente a Guimarães. “Tenho muita ligação a Guimarães”, confirmou, quando questionado sobre a sua naturalidade que é S. Tirso. No centro dessa ligação vimaranense está a avó paterna, a quem chama, com afecto, Avó Belém. A família vimaranense e, em particular, esta avó, que faleceu quando o poeta tinha cerca de 20 anos, deixaram-lhe uma marca profunda. “Com o passar do tempo, sinto que me recordo de coisas de que nunca me lembrava na altura”, confessa, num exercício íntimo de escuta da saudade.
No seio familiar, cresceu rodeado por diferenças que acabariam por moldar o seu olhar sobre o mundo. É o filho do meio de três irmãos, com idades bem distantes entre si: a irmã mais velha tem mais seis anos e a mais nova nasceu quando Rui já tinha quinze. “A minha mãe foi mãe com 17 anos”, partilhou, explicando que a chegada da irmã mais nova representou a concretização de um sonho antigo da mãe. Da convivência agitada com a irmã mais velha na infância, à tranquilidade que a chegada da mais nova trouxe à família, fizeram com que o escritor começasse a experimentar afectos, conflitos e a passagem do tempo. Vivências que viriam a deixar marcas na sua escrita.
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